segunda-feira, 8 de setembro de 2008

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Acho que muito do que eu sinto ainda parte da constatação de que a vida é muito frágil. É inspiradora a delicadeza dessa teia que chamamos realidade, todas as perspectivas que se projetam sobre os objetos vazios e todas as suas fugazes verdades, todas as chances, todas as possibilidades, tudo em um só fluxo harmônico. Um equilíbrio dinâmico auto-regulado, a pluralidade do um, buscando entendimento através das suas partes, um sistema onde cada face contribui com as sua linhas no eterno drama cosmico. É assim que nós somos, os braços da divindade, trançando com cada movimento as historias pelas vontades. Que força obtusa será então essa que molda o nosso querer? O que será que nos atrai para a novidade? Mas realmente o que é? Eu me pego voltando para essa pergunta tantas vezes que já não acredito mais em respostas. Percebi que o que me movia era a pergunta em si e que ela é que era a resposta.

QUE FORÇA É ESTA QUE CONTINUA ME MOVENDO?

Resposta:

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Foi difícil de me acostumar com essa idéia, mas eventualmente aquilo se assentou em mim. Essa proposição transformou o mundo é claro em uma coisa muito mais agradável. A força que me movia do ponto mais profundo do âmago do meu ser, a questão da minha alma era entender o seu próprio funcionamento. Essa era um jornada direta do conhecimento que levaria a níveis de intimidade comigo mesmo que poderiam ate me assustar em outros tempos. Mas eu ja via como as coisas que eram trazidas à luz me davam cada vez mais liberdade, e agora eu queria ser livre. Sofro com muito ansiedade, vejo que o tempo das coisas ainda é muito lento. Imagino que isso vai ser a única coisa capaz de me ensinar tudo o que eu estou aqui para aprender. Parado, extaseado observo o movimento eterno dos seres a minha volta. Gravitando ao redor das suas orbitas, eles buscam sensações que lhe sejam novas, confortáveis ou familiares. Olham uns para os outros e transbordam sentir. Cada um é uma bandeira irremediável de si mesmo, o que é lindo e fétido. E sagrada é a sua santa comunicação, interação e aprendizado.

A raça humana. Os macacos-magos da semântica. Poderosos manipuladores de símbolos. Animais mitológicos em evolução exponencial, rumo a gestalt final. Rumo a explosão do entendimento máximo. Eternamente fadados a mudança, à catarse e a transcendência. Abençoado seja o tempo, criador e dissolutor de todas as tensões. Abençoado seja a vida desse corpo social, que vibra e pulsa com cada Vontade, nos ensinando a voltar a ser um. Abençoada seja a noção sagrada de que o que se sabe é ínfimo em relação ao que se há para saber. Abençoado seja o fato de que não preciso fazer nada que não ser eu mesmo para continuar aprendendo, por que eu sou a pergunta, a sagrada pergunta, a dolorosa pergunta e a pergunta que nos faz transbordar de extase. Toda essa vida é a resposta, abençoada seja a eterna interrogação.

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