terça-feira, 7 de outubro de 2008

Echoes, do pink floyd, foi a primeira poesia epica pos-moderna

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

o movimento

Hoje me peguei conversando com meu sistema nervoso, o engraçado foi que ele respondeu. A principio eu fiquei assustado, ai eu comecei a entender que de fato, eu não era só um. Que eu tenho varias partes quase autônomas, algumas feitas de carne, outras de puro pensamento, que trabalham pra construção paradoxalmente ordenada do caos do meu existir. Meu dialogo com meu corpo, meus pensamentos e minhas emoções, me trouxe outra perspectiva do quem eu sou, mas logo em seguida trouxe uma pergunta. Do meio de todas essas partes “autônomas”, o que é e onde fica esse tal de EU, afinal? Ta mais pra eus. Será que no fim das contas não passamos da soma das partes, como um propósito comum em um grupo? Será que nós somos a causa das células?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

É fistaile.

São sempre as mesmas formas quando começo um texto. Parece robótico, períodos, termos e sentenças que se mesclam e refazem, alternando-se sem alterar seu significado.Posso me sentir bloqueado, perdido, num labirinto semântico que eu mesmo criei. Aí, o texto tenta começar de milhares de formas, todas soam frágeis, sem propósito. Faz-se necessário parar pra perceber que ele é pura estrutura, o que estou comunicando então?.Não era esse o propósito, comunicar? E se um se vê no lugar aonde tudo que ele necessita para purgar suas feridas é se comunicar, e no entanto, ele não acha nada de dentro da alma dele que seja digno de se dizer em palavras. E se tudo que um pode comunicar é a completa falta do que dizer, mas não de uma forma transcendente, e sim de uma forma que te engessa, a angustia desesperada de confrontar os seus limites. As vezes é verdade que a vida fica vazia, ai já não se tem muito o que dizer, sabe como é. Como fugir disso? Como fugir de você, da obviedade de ser quem se é dia após dia. Outro dia eu acordei cansado, e não quis sair da cama. Fiquei pensando, preciso me livrar desse cansaço, esse cansaço me impede de ser.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Estava deitado a uns minutos, a deriva num mundo profundo e obscuro. Quando abri meus olhos e levantei, tudo em minha volta tinha um cinza brilhante, quase azul. Tsc... abri um sorriso atônito. Olhava pra vela e via o movimento do fogo. O encontro da luz com o vidro formava padrões de cores que se abriam como arco Iris na minha direção, arco Iris que se mexiam. Todo o cenário era de uma beleza divina, um quarto semi escuro com quatro velas, uma musica sufi tocava ao fundo. Tive que rir. Ri de mim mesmo e das minhas reações, ri do tamanho da beleza do mundo, ri por não saber comunicar de nenhuma outra forma o tamanho do meu deslumbramento. O quão elementar e belo o mundo pode ser, e ele sempre o era pra mim, mas ali, era como se eu simplesmente não pudesse negar. E eu estava em casa. Tive que ir lá no fundo de mim mesmo para descobrir que eu não precisava temer, ninguém julgava meus atos, eu podia ser a vontade. Ficar a vontade na vida, no meu corpo, no meu mundo, no meu jeito.

Não temer esse mergulho, enfrentá-lo de peito cheio, me deu vitalidade, e o que mais me impressionou foi que quanto mais desapegado eu fui de encontro da experiência, mais receptiva ela foi comigo. Fui meticuloso na minha preparação, e desapegado na minha ação. Aos primeiros sinais de que estava partindo de mim mesmo, logo desisti de lutar. Deitei e me deixei levar para onde ele quisesse me mostrar. E eu me transformei em mundos de cor pulsante, de danças energéticas em tom neon. Sai e voltei de mim tantas vezes que perdi a conta, ate que resolvi ver o que tinha do lado de fora. Abri meus olhos e me deparei com outro mistério de igual tamanho. Senti na barriga que o corpo era o ponto de contato do infinito de dentro com o infinito de fora. Perdido no espaço e boquiaberto ou com um sorriso no rosto, eu me lembrei do sentido obscuro do caos.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

As vezes sentir supera tudo pra mim, e fica impraticável existir, falar. Acho que esse meu esporte de expor a minha alma sensibilizou tudo. Certos momentos me são tão intensos, que já posso sentir meu corpo comendo aquelas informações e transformando elas em dor, incompreensão. E até que hoje em dia eu descobri como reverter esse processo, como descarregar isso, reelaborar a informação e comunica-la para mim. Transformar essa dor em criação e êxtase. Mas isso não impede que a cada dia o mundo me traga mais duvidas, incongruências e desafios. Fico me perguntando se isso um dia vai acabar, mas tenho motivos pra acreditar que não. Esse universo em expansão se revela o mais megalomaniaco processo exponencial de carga e descarga por mim imaginavel.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

SUPERNOVAS A PARTE

Procedo de forma única na arte do encontro. Quando se tocam, duas estrelas fazem tanta luz que por um segundo ela permeia todo o infinito, e fica gravada pra sempre no tempo. Então, por mim, primeiro a gente bota as nossas almas na mesa,e observa com deleite e paciência. Aprende tudo que pode, e depois esquece. Ai, depois, bota o corpo pelo teste do encaixe, vê se cabe quando eu pego na tua pele, quando eu arranho e mordo toda a carne disponível, quando fuço e descubro cada dobra e cada sobra da sua superfície de contato. Depois disso eu te transformo numa deusa escarlate, mistura de Venus e Marte, Babalon enfurecida, enlouquecida, gritando a suas linhas nesse texto que você me jura que nasceu sabendo, e eu sei que é mentira, mas que você não sabe. Enfim, nossas fronteiras se desfazem. E pouco a pouco nosso brilho é um só, e tão forte que queimaria a retina de um deus, mas somos mais. E ai a gente vê enfim, que o brilho é o universo inteiro, tudo que há e o nada que é são a mesma luz da qual nos fazemos parte.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Viu a menina no canto do bar. Não a conhecia, na verdade nunca trocara meia palavra com ela. Falar não era o seu forte, ele olhava pra ela, e já fazia um tempo. Era amiga de um conhecido, e, a algumas mesas de distancia, o cumprimentava. Sentiu a barriga revirando, uma sensação esquisita passando pelo corpo. Seu discurso ficou errático, que mulher magnética. Intensamente buscou o copo, que bebeu quase que de uma vez. Burro. Sabia, pois se conhecia bem, que tinha menos chance com o álcool, não, mentira, isso era uma injustiça. Em pequenas doses ele poderia ajudar, quebrar aquela inibição esquisita, a falta de assunto. Mas ele sabia que não era um cara de pequenas doses, se bebia era pra fugir e o seu nervosismo o seguia, por isso agarrava o copo e bebia mais rápido do que podia.

Os dois se levantaram da sua mesa no canto e vieram na sua direção. O amigo apresentou “Camarada, essa aqui é a Joana”. “Prazer” o que ele ia dizer¿ Era péssimo com isso. Os dois sentaram e pediram outra cerveja. Ele terminou o copo e voltou a enche-lo. Conversaram, mas o papo morria rápido, nenhuma conversa engrenava, ele foi perdendo as forças, ficando vez menor. Outras pessoas sentaram, ela riu do que todos tinham a dizer. Parecia que ria fácil, ele deveria saber dizer alguma coisa engraçada. Ele sempre sabia, o que havia de errado agora. O que fazia ele tão desinteressante toda vez que alguém lhe interessava¿ Buscou desesperadamente algo de fascinante pra dizer, algo de digno pra ser ou exibir, la de dentro. Mas toda tentativa era patética, quanto mais tentava mais ele se afundava numa poça de mentira. Enfim preferiu se ater as frases neutras, mas viu que tentar neutralizar-se chamava mais atenção. Simplesmente não tinha nada que fizesse que pudesse corrigi-lo naquela hora, estava grande demais para si mesmo.

Levantou-se, bebado. Era hora de dar um fim naquilo, olhou para a garota nos olhos, mas ela não respondeu. Desviou o olhar para o amigo, que cumprimentou com uma batida no ombro. “Valeu galera!” falou acenando pra mesa. Alguns responderam, outros continuaram suas conversas. Chegou em casa torpe, ligou a TV e deitou na cama olhando pra cima, não se deu o trabalho nem de virar pra ela. Sentia-se dormente e solitário. Pensou em culpar a menina, a sorte, o destino e o que mais¿ Por fim caiu em sua razão, riu de si mesmo, e fez tudo que podia, deixou-se derreter no sono entorpecido que formigou o seu corpo inteiro ate a escuridão total.

sei

Agora eu sei, que eu nunca soube o que fui. Mal sei o que sou, e bem sei ser, mas sou tão indefinível, translúcido, imperceptível, que já era, quando vi já não sou mais. Sou uma coisa que não dura nem um segundo, como aquele vulto no canto do olho que quando você vira pra ver já foi. Escorro pelas mãos, pelos olhos, pela pele, sou vento, sou água, sou fluxo, sou mudança. Sou como todo o universo. Sou intangível pois não sou objeto, sou ato, sou verbo, sou uma flecha mirado pro caos, sou as minhas mascaras preferidas, e as preteridas. Posso ser a escoria ou um santo, sou um pranto que confunde tristeza e espanto. Sou agora com certeza, o que faço do passado também vive mudando. Sou tantos detalhes de mim, que já seria difícil conhece-los todos, que dirá assim, eternos mutantes.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Nasrudin



The Search


One day the Mullah Nasrudin was seen frantically tearing around the village market, wild-eyed and desperate astride his donkey. He zipped this way and that, clearly searching with some urgency for something.

"What are you looking for, Mullah?" asked a villager, eventually.

"Not now!" spat Nasrudin, out of breath, "I'm looking for my donkey!"

http://en.wikibooks.org/wiki/Nasrudin

ta me parecendo que é o caso de achar o seu burro, viver a vida, rir e fazer o que a ocasião pedir