domingo, 11 de janeiro de 2009

Burrice

As vezes eu olho em volta e só vejo burrice, devo ser um idiota

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

back to bahia

Eu vou me embora dessa cidade
desse fedor, desse cinza
dessa velocidade.

Eu vou para um canto onde eu possa
parar
e olhar,
pra dentro, ou pra fora.
e me certificar
que o meu maior desejo
ainda é a margem.

MAPA Nº4 SHIVA

Assim como é possível um contato com Ganesha, Shiva também pode ser buscado com o objetivo de se alcançar um estado de consciência específico. Seu sabor no entanto é muito diferente. Shiva deve ser contactado nos momentos em que ha uma busca por desfarze-se das coisas. Ele provê um contato profundo com o vazio, uma vez eu estava em transe, cantando o mantra, e experimentei sentir a cessação completa de todo o som. O som do vazio. Entrando em contato com esse buraco negro podemos jogar tudo que não queremos mais, e nos apossarmos de todas as coisas novas que vem lá de dentro, e não há o que temer, pois é garantido que não seremos sugados. É nesse sentido que Shiva é tradicionalmente entendido como o criador e o destruidor. Shiva é uma poderosa ferramenta de metaprogramação, uma excelente forma de descondicionar velhos hábitos.

Quer tentar?

Imprima uma foto do Maha Yogui e cole na parede, perto de uma porta:
http://www.audarya-award.org/page/images/stories/shiva.gif
Ao acordar, acenda uma vela para Shiva, sente-se no chão, coluna ereta, e cante por dez minutos:

Aum Trayambakam Yajamahe,
Sugandhim Pushtivardhanam;
Urva Rukamiva Bandhanaan,
Mrityor Mukshiya Maamritat

Ao terminar, levante e faça de 5 a dez saudações ao sol, pegue o suor do seu rosto, e passe na testa da imagem de Shiva, agradecendo-o.

Não sabe fazer uma saudação ao sol?
http://www.youtube.com/watch?v=6sRufaSonBU&feature=related

MAPA Nº3 GANESHA

Através de uma série de simples exercícios realizados com determinação e assiduidade, qualquer um é capaz de experimentar um contato próximo com essa entidade do panteão hindu. Se isso soa muito místico para você, eu poderia explicar de uma forma diferente. A repetição dos mantras é agregada a uma atitude. Esse ethos parece brotar da estranha e emocional forma de comunicação que se estabelece entre o eu e esse particular estado de consciência. Como uma tecnologia de manipulação neurológica, a disciplina parece gerar esse filtro muito refinado para o mundo. As cores saltam e o reino das possibilidades se abre, revelando o mundo como um mistério eternamente renovado. Se Ganesha esta com você, a sorte esta com você, e não ha feito que ele não corrija.

Não acreditou em mim? Me achou um babaca?
Tente você mesmo!

Imprima uma imagem do simpático elefante, e cole na sua parede:
http://i251.photobucket.com/albums/gg299/yanofilms/ganesha2.jpg

Queime muitos incensos pro Ganesha, nag champa, sândalo, ou o que tiver pela sua casa, peça coisas para ele constantemente, sempre buscando contato com o arquétipo. Isso, e cante com entrega, dez minutos ao acordar, dez minutos antes de dormir:

AUM GAJANANAM BHOOTGANADHISEVITAM
KAPITTHYA JAMBOO PHALCHARU BHAKSHANAM
UMASUTAM SHOKVINASHKARAKAM
NAMAMI VIGHNESHWAR PADPANKAJAM

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O homem desenvolveu vinte e cinco mil anos de linguagem, para descobrir que o silencio é o que ha de mais sagrado.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Echoes, do pink floyd, foi a primeira poesia epica pos-moderna

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

o movimento

Hoje me peguei conversando com meu sistema nervoso, o engraçado foi que ele respondeu. A principio eu fiquei assustado, ai eu comecei a entender que de fato, eu não era só um. Que eu tenho varias partes quase autônomas, algumas feitas de carne, outras de puro pensamento, que trabalham pra construção paradoxalmente ordenada do caos do meu existir. Meu dialogo com meu corpo, meus pensamentos e minhas emoções, me trouxe outra perspectiva do quem eu sou, mas logo em seguida trouxe uma pergunta. Do meio de todas essas partes “autônomas”, o que é e onde fica esse tal de EU, afinal? Ta mais pra eus. Será que no fim das contas não passamos da soma das partes, como um propósito comum em um grupo? Será que nós somos a causa das células?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

É fistaile.

São sempre as mesmas formas quando começo um texto. Parece robótico, períodos, termos e sentenças que se mesclam e refazem, alternando-se sem alterar seu significado.Posso me sentir bloqueado, perdido, num labirinto semântico que eu mesmo criei. Aí, o texto tenta começar de milhares de formas, todas soam frágeis, sem propósito. Faz-se necessário parar pra perceber que ele é pura estrutura, o que estou comunicando então?.Não era esse o propósito, comunicar? E se um se vê no lugar aonde tudo que ele necessita para purgar suas feridas é se comunicar, e no entanto, ele não acha nada de dentro da alma dele que seja digno de se dizer em palavras. E se tudo que um pode comunicar é a completa falta do que dizer, mas não de uma forma transcendente, e sim de uma forma que te engessa, a angustia desesperada de confrontar os seus limites. As vezes é verdade que a vida fica vazia, ai já não se tem muito o que dizer, sabe como é. Como fugir disso? Como fugir de você, da obviedade de ser quem se é dia após dia. Outro dia eu acordei cansado, e não quis sair da cama. Fiquei pensando, preciso me livrar desse cansaço, esse cansaço me impede de ser.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Estava deitado a uns minutos, a deriva num mundo profundo e obscuro. Quando abri meus olhos e levantei, tudo em minha volta tinha um cinza brilhante, quase azul. Tsc... abri um sorriso atônito. Olhava pra vela e via o movimento do fogo. O encontro da luz com o vidro formava padrões de cores que se abriam como arco Iris na minha direção, arco Iris que se mexiam. Todo o cenário era de uma beleza divina, um quarto semi escuro com quatro velas, uma musica sufi tocava ao fundo. Tive que rir. Ri de mim mesmo e das minhas reações, ri do tamanho da beleza do mundo, ri por não saber comunicar de nenhuma outra forma o tamanho do meu deslumbramento. O quão elementar e belo o mundo pode ser, e ele sempre o era pra mim, mas ali, era como se eu simplesmente não pudesse negar. E eu estava em casa. Tive que ir lá no fundo de mim mesmo para descobrir que eu não precisava temer, ninguém julgava meus atos, eu podia ser a vontade. Ficar a vontade na vida, no meu corpo, no meu mundo, no meu jeito.

Não temer esse mergulho, enfrentá-lo de peito cheio, me deu vitalidade, e o que mais me impressionou foi que quanto mais desapegado eu fui de encontro da experiência, mais receptiva ela foi comigo. Fui meticuloso na minha preparação, e desapegado na minha ação. Aos primeiros sinais de que estava partindo de mim mesmo, logo desisti de lutar. Deitei e me deixei levar para onde ele quisesse me mostrar. E eu me transformei em mundos de cor pulsante, de danças energéticas em tom neon. Sai e voltei de mim tantas vezes que perdi a conta, ate que resolvi ver o que tinha do lado de fora. Abri meus olhos e me deparei com outro mistério de igual tamanho. Senti na barriga que o corpo era o ponto de contato do infinito de dentro com o infinito de fora. Perdido no espaço e boquiaberto ou com um sorriso no rosto, eu me lembrei do sentido obscuro do caos.