domingo, 24 de abril de 2011

Haikai do sopro

A Anima anima o corpo.
A alma da toalha que se move
na janela é o vento

sábado, 23 de abril de 2011

haikai de calmo renascimento

Sorriso em hora boba,
vazio cheio de esperança.
O coração vê futuro: estrela.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Enlouquecida de dor a Rainha da Floresta Negra pergunta

“Espelho, espelho negro
Existe morte que não nos teste o desapego?”

Ao que o espelho responde em impavida eternidade:

“Ó tola mortal,
ao falecimento nada é isento
ele é o mistério.
A vossa morte, essa sim,
será o seu teste final.”

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

me de mais amor



Se tomamos para amar,
tomamos pra curar.
Falamos fala boa
que comunica nosso afeto
redentor. Abraços plenos.

Também vemos
lembramos e esquecemos.
Nosso toque sacro-tange,
as beiradas se dissolvem,
recompõem-se, são fronteiras
de dois corpos que se gozam.

Vede, são fantasmas,
vultos das chagas antigas.
Vejam, no seu regojizo
o amor cura suas feridas.

Sente a violenta amperagem
desse puro ato de se dar
para uma emoção catártica
que filtra e foca
hipnotiza e realoca todo estar.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

haikai de casemiro

cidadezinha pequena e sem charme
sexta noite a juventude marca na praça, os mais velhos andam de moto
e a maior parte dos comercios fecha as vinte horas

quarta-feira, 9 de junho de 2010

pulsos

Como eu sempre esvazio tudo,
trasnformo em conforto,
prazer
e mais tarde desgosto.
É melhor saborear lentamente
cada gota do mistério imanente
que encontro por agora, aqui.

Se essa mascara do eterno
ja vazou, das vistas
escondidas que meu ser um dia amou,
dos estados alterados
que o cogumelo ou cactus,
o cipó ou acido revelou.
Foi certamente
essa sede insaciavel
que tornou inpraticavel
um respeito admiravel
que seja digno
de cada centimetro desses seres.

Como é possivel
que eu seja irracivel
no que concerne
esse meu tédio universal?
Como é que pode?
Eu não me conformo
com esses simples dias sob o sol.
Será que estou pra sempre fadado
a ser governado
por essa demanda enlouquecida?
Atração por um medo excitante
que se torne lentamente
num vicio reconfortante
de aventuras, segredos,
incerta solidão, desejos,
ilusão!
Minha vida, um filme.

Preciso de um verso que rime
com calma.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Nós não somos a primeira Cia de Cinema

Coletivos coletam falas e falhas que ajudam e atrapalham.
Todos juntos na diversão da mandala nossa inversão não calha
de ser outra coisa que não criança no play.
Adolescente no play se pega, mas nega esse gosto quase brega
que à infancia delega, um substrato de todos juntos
que em real na criancisse não existia.
Só nessa relida e madura infantilidade que nos cabe
como o deleitoso presente que a criação tornou-se.

salve a primeira companhia de cinema
que não é!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Memoria: acumulo,
fantasia,
projeção,
invenção, dinamica obra de arte
em parte.

Nostalgia
é a espera
infinita
de um momento
que ja passou
E que,
vejam só!
A gente mesmo inventou.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Doze


De ponta cabeça,
flutuava:

Estava aqui
vendo,
nada vi,
estou assustado
com tamanha liberdade.

Estava aqui
sentindo,
nada sei,
estou vazio
com tamanha humildade.

Estava aqui
vago,
nada nego,
tinha sede
mas até ela abandonei.

Estava aqui
entregue,
nada sou,
estou rendido,
dependurado.

À deriva,
não me movo.
Aprendo sobre a dinâmica
da imobilidade.

Mal percebendo
pendurei-me em mim
por inteiro
com cândida fragilidade.

Estranho...
um enforcado
tão assim
à vontade.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

os arquemistas

Meus problemas,
Seus problemas,
Nossos problemas.

Muitos dilemas,
emblemas
da nossa angustia
compartilhada.

Geração fadada ao processo,
não ao progresso.

Nosso nome,
não sei ao certo.
Suspeito
ser um verbo
ou um verso.

Depurar o incerto,
isso sim,
gesto concreto.